2 de fevereiro de 2019

Novos começos (até onde der)

Olá, você.

 
Há quanto tempo não nos falamos, não é mesmo? Precisamente desde 2016, ao menos via newsletter. Mas eu decidi fazer diferente em 2019, e desta vez eu juro que vou tentar ser mais assídua nessa coisa aqui.

Gosto de escrever desde que me entendo por gente, e há muito lidar com letras é uma forma de escape. Comecei lendo livros com figuras, mas logo passei para os de texto corrido, porque queria aprender a ler o tipo de livro que meus pais liam — era uma coisa muito adulta de se fazer. Iniciei a jornada, diferentemente da maioria da geração Potterhead, com O Diário da Princesa, mas, por mais que goste de fingir que sim, não cheguei a terminar de ler a série toda. Eu tenho dessas coisas: inicio um monte de projetos, começo um monte de leituras e raramente termino. Até filme tem sido difícil terminar.


Não sei exatamente em qual momento minha capacidade de focar em uma determinada tarefa se perdeu, e apesar de reconhecer que a internet, hoje, tem muita culpa nisso, também não posso dizer que foi só ontem que comecei a agir assim. A verdade é que há muito eu pareço querer abraçar o mundo inteiro de uma vez ao invés de compreender que conseguir abraçar uma rua ou uma praça às vezes já é mais do que suficiente. Fui uma criança gorda, a fofinha, sofri com isso até meados dos 19 anos (quando desenvolvi um distúrbio de imagem que me levou à bulimia — que segue comigo até os 24), e foi buscando excelência em absolutamente todas as outras áreas da minha vida que eu consegui seguir apesar de: era engraçada, fazia todo mundo rir (ainda que para isso eu precisasse me depreciar), estive sempre disponível até mesmo para pessoas que me tratavam mal, tinha sempre notas muito boas, era amiga dos meus professores, todos eles costumavam dizer que eu tinha um grande futuro pela minha frente. Acho que cresci acreditando que meu grande futuro estava por vir.

E agora, quase aos 25, eu não sei mais onde ele está. Talvez tenha parado no sinal vermelho. Talvez esteja esperando uma senhora idosa atravessar com sua bengala e um cachorrinho que é a cara dela e anda ainda mais devagar. Talvez o meu futuro tenha se perdido, sei lá eu. Talvez a culpa seja minha. Eu deveria me mover mais? Em qual direção? Nessa idade eu já deveria ter feito mais, disso eu sei. Eu deveria ser mais. Eu deveria estar noiva, escolhendo o nome do meu primogênito entre reuniões super agitadas da geração workaholic. Deveria estar constantemente com sono, mas a verdade é que meu sono está em dia e minha pele ótima (eu bebo quase 3L de água por dia, é o que se espera). Não frequento reuniões de nada, e meu primogênito vai se chamar Pedro ou Francisco, mas eu não faço ideia de quando ele vem nem de onde.
  
Eu tenho tempo de sobra à beça, mas muito pouco planejamento concreto.


Formei-me há um ano, num país aos pedaços, e sinto que isso fez com que meus sonhos fossem meio ceifados: já considerou ser professor universitário num país de Bolsonaro? Pois. Formei já com a OAB em mãos, mesmo nunca tendo advogado. Circunstâncias diversas me trouxeram para a Europa (isso talvez seja tema de uma newsletter inteira num futuro breve, quem sabe), onde ninguém me conhece nem sabe meu sobrenome. Passei minha juventude sonhando com esse cenário, essa coisa de escapar, de recomeçar do zero. Mas há dias em que a realidade bate à porta, chuta a minha bunda e me lembra que tudo o que eu amo está do outro lado do oceano, separado de mim por mais de 7 mil quilômetros, que as pessoas não são substituíveis e que o frio lá fora nem sempre é curado com uma sopinha quente, porque talvez o frio seja mesmo um estado de espírito. Hoje é um desses dias. Tenho mais incertezas do que certezas, e sei de muito pouco.

Mas prometi a mim mesma que buscaria uma forma de me acalmar, de cuidar de mim mesma, já que terapia é um negócio caro e eu não ando tendo dinheiro nem pra comprar café com caramelo no Starbucks. Foi assim que vim parar de volta à newsletter, e caso não tenha dito antes, digo agora: eu preciso de ajuda. Escrever me ajuda, ser lida ainda mais.
 
Eu tô aqui, eu existo. Não sei pra onde vou, mas, por hoje, isso é o suficiente — e é tudo que eu tenho.
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Escrevi ouvindo:
Maybe it's time - Bradley Cooper
Presta atenção na letra!

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Tô lendo:

História da menina perdida, Elena Ferrante: olha, não vou negar que é uma mistura de sensações estar no últmo livro da tetralogia napolitana. O primeiro li em março do ano passado (ou seja, há quase um ano eu estou imersa neste universo de Nápoles), e há muito compreendi que Lila era Carla* e Nino era João*, duas pessoas importantes em minha vida, mas não menos conturbadas. Sinto que preciso encerrar essa história para exorcizar de vez Carla e João, ainda que, tal qual na história de Ferrante, eles nunca de fato estejam definitivamente fora dos meus pensamentos. Veremos.
*nomes obviamente fictícios.
 
Eu espero que você aí tenha dias bons e que seja gentil com você mesmo. Obrigada por ser gentil o suficiente pra me ler até o final. Me manda um alô, se possível.

Um beijo e um xêro. A gente se vê na próxima: eu juro.

Tema base por Maira Gall | Edição por Giuliana Motyczka